sábado, 26 de julho de 2008

Ciúme

Eu sou ciumento, sim, apesar de me esforçar pra não demonstrar.

Roland Barthes disse palavras interessantes sobre isso:

Como homem ciumento eu sofro quatro vezes: por ser ciumento, por me culpar por ser assim, por temer que meu ciúme prejudique o outro, por me deixar levar por uma banalidade; eu sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum.

Fonte: conversa no MSN... =P

Existe problema sem solução?

Estava no MSN, batendo papo com uma pessoa que eu nunca vi (!).
Ela me pergunta: "vc quer me explicar pq o sorvete de creme eh o mais vendido?"

hehe

Na verdade, era sobre uma história que ouvi a muito tempo atrás. Não tem nada a ver com o sorvete de creme, mas com um carro alérgico a sorvete de creme...

Um homem comprou um carro, que tinha um defeito curioso. Mandou uma carta à fábrica relatando seu problema: "Não os culpo se não responderem. Sei que parece loucura. Toda noite, depois do jantar, pego o carro e vou tomar sorvete. Quando compro de creme, o carro não funciona. Quando compro de outro sabor, liga na hora. Por que isso ocorre?"

A carta foi parar na mesa do presidente, que destacou seu melhor engenheiro para desvendar o mistério. Incrédulo, o engenheiro chegou à casa do homem na hora em que ele saía para comprar sorvete. Os dois foram juntos à sorveteria. Pediram de creme. Voltaram ao carro. Ligaram. Nada. No dia seguinte, repetiram o passeio. Pediram de baunilha. O carro pegou. No terceiro dia, de nozes. Tudo bem. No quarto, framboesa. O motor perfeito. No quinto, creme, de novo. O motor não deu sinal de vida. Inacreditável. A única conclusão possível: o carro era alérgico a sorvete de creme. O que fazer diante dessa constatação? Trocar o óleo por creme antialérgico?

O engenheiro não podia acreditar naquilo. Passou uma semana cruzando dados e comparando hipóteses. Um dia, olhando suas anotações, achou uma pista: o homem levava menos tempo para comprar sorvete de creme. Como era um sabor bastante pedido, o latão com creme ficava à mão do atendente. Para pegar os outros sabores, tinha de lavar a concha, enxugá-la, dar alguns passos para pegar o sorvete e mais outros para entregá-lo ao cliente. Além disso, o de creme custava 10 centavos. Os outros sabores, 12. Como o homem nunca tinha 2 centavos trocados, quando comprava de chocolate ou de morango tinha de esperar para receber e conferir o troco. Isso representava 1 minuto a mais.

Com isso, o mistério ganhou nova configuração. Não se tratava de o carro gostar ou não de sorvete de creme. A questão agora era: por que ele não funcionava quando se levava menos tempo? O engenheiro abriu o motor, conectou aparelhos a várias peças e descobriu que havia um relé com uma ventoinha defeituosa, que causava um problema de resfriamento. Touché! Quando o homem comprava sabores como pistache ou flocos, a peça tinha tempo para esfriar. Quando pedia de creme, o serviço era mais ágil, o relé ainda estava quente e não funcionava. Estava esclarecido o mistério. Era só não embarcar nas aparências, estudar o problema com cuidado e encontrar o caminho certo. Por mais complicado que seja, não há problema sem solução.

É uma história batida, eu sei, mas que ainda tem seu pequeno encanto...


Era só...

Fonte: http://vocesa.abril.uol.com.br/edi19/ponto4.shl

Terra Imperial

Estava a um tempo devendo de livros já lidos... aqui vai o outro...

Terra Imperial - Arthur C. Clarke

Sua tecnologia - sem mencionar sua teologia! - já está extinta a trezentos anos. Mas o espírito com o qual ela foi escrita ainda é válido como nunca.
a sinceridade de um discurso de agradecimento é com frequência inversamente proporcional ao seu comprimento.
Assim era melhor, mas ainda não lhe parecia perfeito.
mas estava determinado a ver o que podia sozinho, antes de pedir auxílio.
Tinha lido em algum lugar que a melhor maneira de aprender a nadar era atirar-se na água.
Queremos um presidente que tenha que ser carregado aos gritos e pontapés para dentro da Casa Branca - mas que, quando lá estiver, faça o melhor trabalho possível, pra que seja deposto por bom comportamento.
Ele tinha sobrevoado metade do sistema solar e nunca recebeu tamanha impressão de espaço e distância como estava recebendo naquele momento, quando olhava para aquelas nuvens de aparência tão sólida, velejando pelo abismo azul que parecia interminável.
Alguns problemas só podem ser resolvidos com o tempo, se de fato podem ser resolvidos.
O único problema real da vida, tinha dito uma vez um antigo filósofo, era saber qual seria o próximo passo.
Dizia que jamais seria capaz de amar mais ninguém. Disse-lhe para não ser tolo, mas para esquecer-me o mais rápido que pudesse, desde que jamais poderíamos nos encontrar de novo. O que mais poderia dizer? Não percebia como era inútil aquele conselho... como se dissesse a alguém para que parasse de respirar.
Embora a verdade pudesse ser assustadora, o preço da ignorância poderia ser - extinção.


[falando de "Bichos Estrelares"]
E seriam eles inteligentes? O que significa essa palavra? As formigas são inteligentes? As células do corpo humano são inteligentes?


Dr. Carl Sagan (já nos agradecimentos)
(...)como a (idéia) de que seria tolo ignorar todo Universo bem planejado. "Pois se não são verdadeiros, são bem imaginados..."

A Guerra dos Bastardos

Estava a um tempo devendo de livros já lidos... aqui vai um...

A Guerra dos Bastardos (de Ana Paula Maia)

A dinheiro dado não se pergunta o noma da lavanderia. Que diferença faz a marca do sabão desde que lave e faça espuma?
Segredos compartilhados não são segredos, são angústias. Angústia compartilhada é desespero.
Nós amamos apenas os que resistem; os demais, nós toleramos.
a cena, na videolocadora, o cliente pede que o vendedor indique um filme. O cliente começa:
- "São só filmes, santo Deus. Apenas filmes", ele diz. "Basta dizer qual do dois teve melhor saída."
- "É disso que estou falando", digo. "O senhor escolheu sua mulher porque antes ela teve uma melhor saída?"

Que pensamento horrível era aquele e ainda bem que temos o direito de pensá-los em silêncio. Pensamentos devem ser quietos e assim permanecer.
É difícil amar, principalmente quando se está completamente só
A grama do vizinho é mais verde e seus pecados mais escandalosos.
Não saberia se justificar, nem tudo tem justificativa, e pra quê fazer papel de tolo em busca delas?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Um livro ruim - parte 2

Não, não foi só o "barulho" do post anterior que o livro ruim causou...

Eu imagino que todo mundo mente um pouco para si mesmo. Mentirinhas pequenas, do tipo "nem me importo com isso", "isso não vai me fazer mal" ou "eu nem queria mesmo". Não são mentiras ditas, simplesmente adotamos elas como uma auto-justificativa.

A algum tempo venho tentando me livrar de várias dessas. Parece que, ao menos pra mim, essas mentiras serviam como uma espécie de analgésico pra alguns sentimentos - principalmente para o sentimento de incapacidade frente a alguma situações. Eu tento enfrentar tudo e, bom, nem sempre dá certo... E de "tudo" eu nunca consegui chegar, nem perto...

Uma das mentiras que conto pra mim mesmo é a velha "não me importo com o que os outros pensam". Não é bem verdade, mas também não é bem mentira.

Não é bem verdade porque, por exemplo, é fácil me ouvir falando alto na biblioteca. Não muito alto, mas alto suficiente pra quem eu estou conversando pedir pra baixar um pouco. Pra escolher um tênis, por exemplo, tem que ser confortável. Não passa pela minha cabeça "será que vão olhar?". O mesmo pras roupas...

Mas também não é bem uma mentira. Tem gente com quem eu me importo ao extremo ao extremo - olha o exagerado de novo - com a sua opinião sobre mim. Oras, se eu me importo, é problema meu... e nisso tudo, eu baixo o tom na biblioteca, eu olho os tênis antes de colocar e por aí vai...

Pensando assim, pergunto o que as pessoas vêem em mim. Pergunto onde é meu lugar no mundo. Eu sei que causei uma expectativa nas pessoas, só não sei como correspondê-las. Sobre expectativa, escrevi no outro post.

E ainda não sei qual é o meu lugar no mundo. Não sei onde quero estar. Não sei pra onde quero ir. Não sei como quero ficar. Ficar sozinho pode ser bom, faz a gente ouvir esses pensamentos guardados. Só que a solidão é tão boa quanto o escuro: é muito boa pra mostrar o quanto gostamos da luz...

Eu sei, esses posts acabaram bem egocêntricos. É fato, foram escritos no meio de uma tempestade de pensamentos sem nexo.

Mas não vou me preocupar. Herbert George Wells vem com "A Guerra dos Mundos". E não precisarei mais vigiar meus pensamentos...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Um livro ruim

Terminei de ler "Terra Imperial", de Arthut C. Clarke, mas vou ficar devendo as passagens dele por enquanto. Fui na biblioteca e peguei outro livro. Julguei pela capa e errei.

Achei o livro muito ruim. Escrito todo em um único parágrafo, do começo ao fim e muito, mas muito repetitivo. Cheio de rodeios.

Mas por que um comentário de um livro ruim?

Acho que descobri por que leio. Ler me distrai e não me deixa pensar. Só que, às vezes, pensar é bom... E deu tempo até de ver um "Inter 2 x 0 São Paulo"...

Tem uma pessoa por quem eu sinto saudade - 2 minutos e já é saudade - e, por esses dias, ela disse que tb tinha saudade de mim. Nossa, fui atingido por um estranho, bom - e quem sabe bobo também - sentimento de felicidade. Pensando ontem, porém, pela primeira vez me pareceu assustador ter alguém sentindo alguma coisa por mim (até então eu sequer acreditava que alguém pudesse sentir alguma coisa por mim).

Sim, assustador.

Não é o caso, eu sei, mas continuei pensando nisso. Pra algumas pessoas eu me sinto bem falando o que eu sinto. Só que eu sou (apaixonadamente) exagerado e um perfeccionista imperfeito. Exagero nisso também e acho que posso causar o efeito contrário: ao invés de fazer sentir bem, acaba dando a impressão de dependência e até de culpa quando quer (ou precisa) dizer um "não".

Dói um pouco pensar assim. Querer fazer tudo perfeito não é, necessariamente, fazer tudo ao máximo, talvez nem tudo certo.

Talvez seja tudo questão de fazer as coisas no momento certo...

E tudo começou com um livro ruim... e talvez ainda nem tenha terminado...

domingo, 13 de julho de 2008

Um dia depois de hoje

Uma frase que, solta, não parece ser importante. Frases desse tipo podem não ter muita importância pra quem fala (ou pra quem a escreve), mas causa uma coisa incrível em quem lê. São ditas sem perceber...

Li uma hoje, a pouco:
nos falamso melhor amanh
Simples assim.
Talvez o contexto, talvez as palavras ditas antes, talvez as palavras não ditas, talvez um sonho. Alguma coisa fez essa frase ter um impacto em mim.

Eu sei o que é. Chama-se esperança. Esperança no amanhã.

É não estar sozinho, não por acordar com alguém, mas saber (ou só ter esperança) que alguém acorda com vc no pensamento... e acordar com esse alguém correspondido no seu pensamento também.
É saber que existe a possibilidade - mesmo que remota - de encontrar aquela pessoa naquele dia.
É poder conversar, mesmo que só escrevendo, mesmo que só por uns minutos.

E o melhor de tudo: fazer planos. Sonhar.

Às vezes esperança dá medo. Assim como temos medo de cair quando estamos muito alto, mas jamais deixaremos de voar por ter medo de altura.

Mas, ao menos hoje, isso é a melhor coisa do mundo: sonhar, deliciar-me com o doce gosto do acreditar e lambuzar-me com o melhor sabor quando acontecer de verdade...