sábado, 26 de julho de 2008

A Guerra dos Bastardos

Estava a um tempo devendo de livros já lidos... aqui vai um...

A Guerra dos Bastardos (de Ana Paula Maia)

A dinheiro dado não se pergunta o noma da lavanderia. Que diferença faz a marca do sabão desde que lave e faça espuma?
Segredos compartilhados não são segredos, são angústias. Angústia compartilhada é desespero.
Nós amamos apenas os que resistem; os demais, nós toleramos.
a cena, na videolocadora, o cliente pede que o vendedor indique um filme. O cliente começa:
- "São só filmes, santo Deus. Apenas filmes", ele diz. "Basta dizer qual do dois teve melhor saída."
- "É disso que estou falando", digo. "O senhor escolheu sua mulher porque antes ela teve uma melhor saída?"

Que pensamento horrível era aquele e ainda bem que temos o direito de pensá-los em silêncio. Pensamentos devem ser quietos e assim permanecer.
É difícil amar, principalmente quando se está completamente só
A grama do vizinho é mais verde e seus pecados mais escandalosos.
Não saberia se justificar, nem tudo tem justificativa, e pra quê fazer papel de tolo em busca delas?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Um livro ruim - parte 2

Não, não foi só o "barulho" do post anterior que o livro ruim causou...

Eu imagino que todo mundo mente um pouco para si mesmo. Mentirinhas pequenas, do tipo "nem me importo com isso", "isso não vai me fazer mal" ou "eu nem queria mesmo". Não são mentiras ditas, simplesmente adotamos elas como uma auto-justificativa.

A algum tempo venho tentando me livrar de várias dessas. Parece que, ao menos pra mim, essas mentiras serviam como uma espécie de analgésico pra alguns sentimentos - principalmente para o sentimento de incapacidade frente a alguma situações. Eu tento enfrentar tudo e, bom, nem sempre dá certo... E de "tudo" eu nunca consegui chegar, nem perto...

Uma das mentiras que conto pra mim mesmo é a velha "não me importo com o que os outros pensam". Não é bem verdade, mas também não é bem mentira.

Não é bem verdade porque, por exemplo, é fácil me ouvir falando alto na biblioteca. Não muito alto, mas alto suficiente pra quem eu estou conversando pedir pra baixar um pouco. Pra escolher um tênis, por exemplo, tem que ser confortável. Não passa pela minha cabeça "será que vão olhar?". O mesmo pras roupas...

Mas também não é bem uma mentira. Tem gente com quem eu me importo ao extremo ao extremo - olha o exagerado de novo - com a sua opinião sobre mim. Oras, se eu me importo, é problema meu... e nisso tudo, eu baixo o tom na biblioteca, eu olho os tênis antes de colocar e por aí vai...

Pensando assim, pergunto o que as pessoas vêem em mim. Pergunto onde é meu lugar no mundo. Eu sei que causei uma expectativa nas pessoas, só não sei como correspondê-las. Sobre expectativa, escrevi no outro post.

E ainda não sei qual é o meu lugar no mundo. Não sei onde quero estar. Não sei pra onde quero ir. Não sei como quero ficar. Ficar sozinho pode ser bom, faz a gente ouvir esses pensamentos guardados. Só que a solidão é tão boa quanto o escuro: é muito boa pra mostrar o quanto gostamos da luz...

Eu sei, esses posts acabaram bem egocêntricos. É fato, foram escritos no meio de uma tempestade de pensamentos sem nexo.

Mas não vou me preocupar. Herbert George Wells vem com "A Guerra dos Mundos". E não precisarei mais vigiar meus pensamentos...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Um livro ruim

Terminei de ler "Terra Imperial", de Arthut C. Clarke, mas vou ficar devendo as passagens dele por enquanto. Fui na biblioteca e peguei outro livro. Julguei pela capa e errei.

Achei o livro muito ruim. Escrito todo em um único parágrafo, do começo ao fim e muito, mas muito repetitivo. Cheio de rodeios.

Mas por que um comentário de um livro ruim?

Acho que descobri por que leio. Ler me distrai e não me deixa pensar. Só que, às vezes, pensar é bom... E deu tempo até de ver um "Inter 2 x 0 São Paulo"...

Tem uma pessoa por quem eu sinto saudade - 2 minutos e já é saudade - e, por esses dias, ela disse que tb tinha saudade de mim. Nossa, fui atingido por um estranho, bom - e quem sabe bobo também - sentimento de felicidade. Pensando ontem, porém, pela primeira vez me pareceu assustador ter alguém sentindo alguma coisa por mim (até então eu sequer acreditava que alguém pudesse sentir alguma coisa por mim).

Sim, assustador.

Não é o caso, eu sei, mas continuei pensando nisso. Pra algumas pessoas eu me sinto bem falando o que eu sinto. Só que eu sou (apaixonadamente) exagerado e um perfeccionista imperfeito. Exagero nisso também e acho que posso causar o efeito contrário: ao invés de fazer sentir bem, acaba dando a impressão de dependência e até de culpa quando quer (ou precisa) dizer um "não".

Dói um pouco pensar assim. Querer fazer tudo perfeito não é, necessariamente, fazer tudo ao máximo, talvez nem tudo certo.

Talvez seja tudo questão de fazer as coisas no momento certo...

E tudo começou com um livro ruim... e talvez ainda nem tenha terminado...

domingo, 13 de julho de 2008

Um dia depois de hoje

Uma frase que, solta, não parece ser importante. Frases desse tipo podem não ter muita importância pra quem fala (ou pra quem a escreve), mas causa uma coisa incrível em quem lê. São ditas sem perceber...

Li uma hoje, a pouco:
nos falamso melhor amanh
Simples assim.
Talvez o contexto, talvez as palavras ditas antes, talvez as palavras não ditas, talvez um sonho. Alguma coisa fez essa frase ter um impacto em mim.

Eu sei o que é. Chama-se esperança. Esperança no amanhã.

É não estar sozinho, não por acordar com alguém, mas saber (ou só ter esperança) que alguém acorda com vc no pensamento... e acordar com esse alguém correspondido no seu pensamento também.
É saber que existe a possibilidade - mesmo que remota - de encontrar aquela pessoa naquele dia.
É poder conversar, mesmo que só escrevendo, mesmo que só por uns minutos.

E o melhor de tudo: fazer planos. Sonhar.

Às vezes esperança dá medo. Assim como temos medo de cair quando estamos muito alto, mas jamais deixaremos de voar por ter medo de altura.

Mas, ao menos hoje, isso é a melhor coisa do mundo: sonhar, deliciar-me com o doce gosto do acreditar e lambuzar-me com o melhor sabor quando acontecer de verdade...

Cultura

Acabei de chegar em casa, fui assistir Tangos e Tragédias de novo. Simplesmente muito bom. Mas não é sobre isso, vou ficar devendo, eu sei...

Alguns sabem, a maioria não, mas enquanto eu assistia, uma parte do meu pensamento vagava pelo teatro. A peça foi no UcsTeatro. Pensei nas paredes, na acústica, nas cadeiras... tudo em perfeita ordem. Na mesma hora passou pela minha cabeça que muita gurizada estava tomando "cerva" num posto de gasolina naquela hora, nas reclamações de quem mora perto por causa do barulho e no fato de Caxias ser a capital da cultura (o que são poucos que sabem, e menos ainda os que concordam com o título)...

Mas, afinal, o que é cultura? O que pode ser considerado cultura?

Eu já bebi em postos de gasolina (bebi cerveja, não gasolina), e ainda saí dirigindo depois. Não faço mais isso, e não é por causa da lei... Sobre a lei, disseram também que beber faz parte da nossa cultura.

Pode até ser, mas que cultura é essa?

Adorei assistir - mesmo que certa pessoa não estivesse lá. Quero assistir mais, porque isso sim é diversão de verdade. Se me pedir o que quero, vou responder que quero isso, que quero esse tipo de diversão. Já me disseram que sou um cara de 40 anos escondido num de 21, e talvez eu seja mesmo. O que muitos chamam de cultura hoje é, na verdade, só mais um pouco de baderna... E isso é pensamento de velho, não é?

Sim, estou indignado. Antes eu ficava do lado dos baderneiros, achando que quem reclamava eram os "chatos". Hoje vejo diferente. O problema é que não sei o que estarei pensando amanhã...

terça-feira, 8 de julho de 2008

So say we all

Não podia deixar passar em branco, e quase ia esquecendo...

Eu adoro Battlestar Galactica. É uma série de ficção científica espacial irresistível. Parece futurista, mas mistura elementos do passado. Foi a única coisa até hoje que me fez não desgrudar da TV. É simplesmente incrível.

Uma das melhores cenas foi a "Manobra Adama". Veja por si só:






Download em AVI do 1º vídeo






Download em AVI do 2º vídeo

Agora, só em 2009. Eu assisti os 10 episódios da 4a temporada todos no domingo. Viciante!

Quer saber se eles encontram a Terra? Quer saber se os Cylons encontram a Terra? Assista. Quer companhia? Me convide! Ainda agora eu vibro com as cenas...

Eu gostei muito também do longa lançado entre a terceira e a quarta temporada: Razor. Bem no começo:
Você nasce, você vive, você morre.
Não há recomeços.
Não há uma segunda chance se você ferrar na primeira vez.
Pelo menos não nessa vida.
Dá pra ter uma idéia?

As inibições naturais podem fazer a diferença entre a vida e a morte numa batalha.
Quando você consegue isso... por quanto tempo foi preciso... então você é uma navalha.
E aí? Você é uma navalha?

Trabalhos de amor perdidos - Shakespeare

Terminei a quase 1 mês de ler William Shakespeare. Várias passagens não queria esquecer, mas não dá pra copiar o livro todo pra cá, então vão só algumas...

Ora, todos os prazeres são prazeres vãos, e o mais vão dos prazeres é aquele que, obtido com sofrimento, sofrimento recebe como herança. Como, por exemplo, concentrar-se dolorosamente na leitura de um livro na tentativa de encontrar a luz da verdade, enquanto a verdade nesse meio tempo traiçoeiramente cega a visão de quem lê.

(...)
Estudar o tempo todo é nisso que dá: a vaca vai para o brejo. Enquanto estuda para ter o que deseja, esquece de fazer o que deve. E, quando finalmente tem o que mais ameja, é como conquistar cidades com incêndios: o que se ganha é o que se perde.

(...)
A beleza tem seu valor fixado pelo olhar que a julga, e não anunciado pela propaganda vil que está na boca dos mercadores.

(...)
Alguns homens amam a sua adorável dama, enquanto outros se contentam com qualquer Joana.

(...)
Devo inspirar o teu amor? Eu poderia. Devo pedir o teu amor? Eu poderia. Devo exigir o teu amor? Eu o farei.

(...)
Embora detestemos os ventos, aguentamos o mau tempo.

(...)
Como nenhum elogio serve, qualquer elogio ofende.

(...)
Adeus, suas loucas. Vocês são inteligentes de um modo tolo.

Você se contenta com qualquer Joana? Eu não... agora não...